domingo, 7 de setembro de 2014

Andou chovendo tristeza... / Walked raining sadness


E nessa tarde chuvosa,
os pingos não encontraram as folhas,
morreram frios no impacto das telhas,
escorrendo chorosos no vão da ilusão
Os pássaros sem abrigos,
Já não são mais sorrisos
E na provável estiada,
Sentirei falta das flores,
Que faltaram com a chuva
E se foram, do nada

(Taciana Valença)

Walked raining sadness


And on that rainy afternoon,
the drops did not find the leaves,
died in the impact of cold tiles,
runny weeping in vain illusion
Birds homeless,
They are no more smiles
And the likely Estiada,
I'll miss the flowers,
Who missed the rain
So they went out of nowhere

(Taciana Valença)



segunda-feira, 1 de setembro de 2014

ESSA CHUVA (TACIANA VALENÇA)


Porque a chuva
Foi feita pra molhar...
Escorrer no rosto
Passar a língua,
Sentir o gosto -
Acariciar os ombros,
Laçar a cintura, 
Assanhar os cabelos, 
Deslizar nos dedos...
Molhar tua boca
Despertar desejos
Desfalecer grudada
Na tua roupa

(Taciana Valença)

domingo, 24 de agosto de 2014

A UM AMIGO


Houve um tempo
Em que a praia era nossa -
A vida nos sorria e o vento
Secava a água em nossas costas

Houve um tempo
Não muito longe,
Em que os sorrisos se esbarravam,
E as palavras tinham sabor de vida

Houve um tempo
Em que nem chovia -
Os pés corriam, afundados na areia
E as ondas eram risos desafios

Houve um tempo
Dos sonhos d'um destino
Que reluzindo ao longe
Brilhavam nos olhos do menino

(Taciana Valença)

TODO O SENTIDO


Morre-se então
Na fúnebre beleza
De não mais sorrir
A maquiagem cedeu
Ao orvalho do tempo
Falecido colorido
De vã vigência
Curta abrangência
Porém amplo sentido de ser
De ter sido,
Somado, subtraído -
Tempo vivido, que jaz
Abusado, cansado, espremido -
E agora esse tudo, 
Faz todo sentido

(Taciana Valença)

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

NINFA


Verás,
que viverei o tempo da tua vida
Mas não me olhes tanto,
para que as ideias não se misturem,
Não me pertubes,
Quando estiver a banhar-me,
Debruçada em Régias Vitórias
Num mundo meu,
Vende os olhos a mim
ao meio dia,
Ou renda-te, ao ninfoléptico entusiasmo
D'uma inspiração divina -
Torne-me musa,
Mas com cuidado,
Posso roubar teu coração!

(Taciana Valença)


ACUIDADE


Impulsos,
rígidos conceitos...
O desconhecimento da abrangência maior
Do que ninguém nem nada define,
Anátema?
Perdem-se conceitos,
Julgam sem a devida acuidade
O mundo, o amor, os mistérios
Ah! Os mistérios que se confundem,
se fundem,
Espantam os pouco preparados
Os retos, 
Os fracos!

(Taciana Valença)

quarta-feira, 16 de julho de 2014



Alguns verões passam
Um tanto apressados
Alguns em vão,
simplesmente se vão -
Algumas pessoas ainda estão lá
Mas certamente não são as mesmas
Na tentativa de prendê-las,
 nos escapam...
Ah... que triste quando partem,
Partem após partirem nosso coração,
E nem deixam saudades,
E sim marcas,
Nos olhos que já nem mesmo as veem
Nunca mais,
Não da mesma forma,
Pois as maturamos
Por tanto e tanto tempo
E nada delas ficaram,
Nada,
Além do que jamais foram

(Taciana Valença)



FRAGMENTS

I catch from you 
So little fragments 
Perhaps sparks 
That you let escape 
In a insane persistence 
To omit yourself 
I regret with sadness 
That feel from me 
Any interference 
Like I could extract from you 
Some secrecy 
But respect 
So kept and smart 
Point of view 
Just wanting to make you know 
How I can be relief 
Any time you want 
At yours heights...

( Taciana Valença)

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Poemas de Guardanapos



Rabiscos, quase riscos,
num azul amassado,
registro confidente,
um quase segredo -
d'alma em rebelião,
um ponto, um desabafo
um poema de supetão

(Taciana Valença)

quinta-feira, 3 de julho de 2014

NA TORCIDA!!!!!!!!!!!!!!!!

Homenagem ao teu dia

És alma que me foges a todo momento
Nas alegrias tão boba
Nas tristezas um só lamento
Insistir em ti
... É como jogar
Oferendas ao mar
Que engole cada palavra
Ou quem sabe
Carrega para as profundezas
Para a calma do desfrute
Ou mesmo devolve
Cuspindo à beira
Devolvendo indignada
Uma enxurrada de besteiras
Mas perdoa-me
Pelas faltas de acertos
Por esquecer palavras
Nos cantos dos becos
Por às vezes ser este oco
Como mato cortado por um louco
Tú que tanto és pra mim
Pelo que te sou tão pouco
Taciana Valença

EU MORO NUM VERSO (TACIANA VALENÇA)