terça-feira, 30 de abril de 2013
segunda-feira, 29 de abril de 2013
domingo, 28 de abril de 2013
NINHO
Hora de aninhar-se, num tempo meu
Lá fora ventania, recitando alegrias
Sob o universo, que contempla
Humanidade tão óbvia, seguem sua marcha
Rumo ao destino
Desatino?
Será tudo uma aventura?
Cubro-me então,
Afastando os devaneios
Volto ao ninho, escuro e solitário
D'uma nostalgia esdrúxula
Voltando páginas
Em preto e branco, puxo as cobertas
Observo a porta, entreaberta
Voltando ao meu casco
Adormeço, me desfaço...
(Taciana Valença)
sábado, 27 de abril de 2013
do cheiro....
E por falar em cheiro
A memória acode ligeiro
Lembrar do cheiro...
Cheiro de um momento
Cheiro do caminho
Cheiro da chuva no jasmim
Um cheiro que sempre vem
Cheiro gostoso
Trazendo lembranças
Café coado tomando a cozinha
Conversa de vizinha
Cheiro que segue na vida
Cheiro de mudanças
Ah, esse teu cheiro
Melhor lembrar ligeiro
Senão bate na saudade
Impregnada no cangote
Subindo pelo decote
Cheiro do desejo
Da vida são tantos
Em frascos lembranças
Cheiros sem tempo
Sem épocas
Sem distâncias
(Taciana Valença)
Gotas de Plenitude
E aqui a chuva cai
Pingos sobre as folhas do Ficus
Essa vontade de abraçar o céu
Sentir o que vem do alto
O corpo molhado
Braços abertos ao mundo
Uma vida que explode
Em segundos
Lavando a alma
Permitindo o som da calma
O sorriso do nada
D'um inundante vazio
Que plenamente preenche
Gota após gota
Isso me é suficiente
(TACIANA VALENÇA)
terça-feira, 9 de abril de 2013
É sempre tempo
Sempre é tempo
De rever conceitos
Mudar seus hábitos
Repensar seus defeitos
Mudar a fechadura
Que de ferrugem já não abre
Ter jogo de cintura
Quanto às próprias verdades
(Taciana Valença)
UM ACENO
Uma dose de dor
D'antes doces rimas
Gestos dilapidam sentimentos
Foram-se os sorrisos
Tão costumeiros
Os pilares das emoções
Dias de canções...
Um aceno
Simbolizando a partida
Parida a penas duras
De lágrimas desencantos...
(Taciana Valença)
JANELA ENTREABERTA
Tempo que nos foge
Vazio corando a face
Lágrima que corre
No desenho da saudade
Que morre na boca
Calando rouca
Pela janela entreaberta
Suspira vida
(Taciana Valença)
Foto: Taciana Valença
SINA
Apenas um dedo de prosa sob a janela
Onde o sol desconfiado
Insiste em ouvir
Umas contas
Uns acertos
Uns fuxicos ...
Conselhos de manivela...
Lá fora dois filhos uma mãe
Balde d'água na cabeça
Uma bênção
Uma promessa pro fim da seca
Feita aos pés d'um morto gado
Pelo sol prejudicado
Na mesmice de sempre
Onde a sina sempre vence
Sofre bichos
Sofre terra, sofre gente
Um sofrer demente, dormente....
Tudinho de novo
Do mesmo jeito
Finda o dia, desolação...
Nas calçadas tudo sentado
Rostos tristes, nuvens que passam vazias...
Cachorro magro seguindo o dono
Fiel a um abandono
Chapéu de couro em rosto enrugado
Sempre o mesmo recado....
(Taciana Valença)
Imagem: Wilton de Souza
DESVIO DE RECADO
Desvio de recado
O que entristece é essa má vontade
A demora d'uma verdade
Um passo não dado
Um desvio de recado
O remédio errado
O peito apertado
Pela vontade de ir
Mesmo tendo ficado
(Taciana Valença)
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