segunda-feira, 24 de março de 2014

ENCONTRO



 
Mansão de quartos tantos
Onde vaga a solidão
Nas mãos, cristal coração
Trincado pelos escorregões
Certa falta de equilíbrio,
Órgão tão sensível
Para se confiar a um general
Tão distraído pela tropa!
Objeto sobposto
Quase sempre a contragosto
Sob marejado olhar
Em dias de verborreias tão vazias
Mas a lua, brilhante e pura
Ilumina lugar e encontro
E o que há de tonto,
Mãos em roda se fazem
E por alguns instantes
O general se aposenta,
O pulsar reaparece,
Em ombros e confidências
Goles de paciência brindam à luta
Numa velada prece ao mundo
Que no fundo, no fundo
Nem mesmo sabemos se nos merece
 
 (Taciana Valença)

TEMPO

 
Chega um momento em que percebemos que não temos mais tempo
para quem apenas nos corrói o tempo (Taciana Valença)
 
 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Lembranças


Sentia o vento bater no meu cabelo. Olhos fixos na janela observavam as montanhas.
Vez por outra olhava firme a estrada.  O mundo era tão grande, pensava.
Os morros de cabeleiras verdes pareciam gigantes. Amedrontadores. Enfeitiçadores.
Do banco de trás olhava o perfil do meu pai. Suas mãos ao volante davam a sensação de segurança. Agitado, o lenço vermelho de minha mãe despertava minha atenção, mais do que sua voz firme, sempre tão segura. Será que ela nunca tinha dúvidas? Talvez não. Nem sei.
Muitas vezes pensava por que estava ali, por que aqueles eram meus pais e além daquela longa estrada, para onde iríamos? Estrada, tempo, vento, pessoas e vida, coisas que até hoje encabulam meus pensamentos e embrulham meu estomago.
O que será que eu vim fazer aqui?

(Taciana Valença)

sábado, 8 de fevereiro de 2014

 
MATURIDADE

Natural filtro sobre a escuta
Lentes aguçadas,
Recusam imagens que não acolhem,
Beleza agora é a que encanta,...

A que fica, a que a alma observa,
Tudo é mais transparente,
Boca cede lugar aos ouvidos,
Palavras, apenas suficientes,
Muitas coisas não mais convencem,
E tentar impressionar não funciona,
Há em mim uma dona,
Pacífica, revolucionária e quieta -
D'uma pureza esperta,
Que só atende pelo nome
Pois não valoriza tarjas, sobrenomes ou grifes,
Em nome de tantas burrices,
Das vazias almas, das "espertisses"
O que há hoje é muito além,
Do que se mostra, do que se diz, do que convém.

(Taciana Valença)



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

CHUVA


Um banho,
Lavar a alma;
Em afago e ternura
Que despropósito!
Apenas pingos,
Lágrimas de vida
Derramam-se em chuvas,
Enxurrada d’afeto de Deus,
Cujo abraço causa-me saudade,
Não sei de que,
Não sei de onde,
Nem mesmo de quando.
 
(Taciana Valença)
 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Sede

 
Ah, essa sede,
sede que nao passa
seca a garganta
sufoca, quase mata;
sede de justiça, de paz
sede de ser mais,
num mundo de menos
sede cachoeira,
salgada de mar;
de leito de rio,
de corredeiras,
sede...sede...,
de ser, de se levar,
do mergulho sem fim
sede do que não há
sede de copo de vida
sede d'água de alheia mao
sede raios, sede trovão,
do impulso, da vida,
da contramão...
 
(Taciana Valença)
 
 


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Sem sentidos

 
Dançar sobre os ponteiros
Desdenhar das horas
N'olhar perdido sobre o leito
Desavessar a insensatez
Mastigar pelas bordas,
Lamber o que transborda,
Mergulhar em temido lago
Afagar o afago,
Dobrar o juízo,
Perder o sentido
 
(Taciana Valença)
 
 
 
 
 


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Palavras


 
Palavras em mel
Q'escorrem fáceis....,
Escorregando em rasuras,
Embaçando  beleza
Aprisionando realeza
Fantasias e disfarces
Sob cobertor de agruras,
Jogadas ao vento,
Vácuo de sentimentos,
Seguindo sem destino
Em rimas  e desatinos
Feito coisas de menino
 
(Taciana Valença)


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

PORTAS


 
Uma a uma,
Fecho todas as portas
Sigo, sem retorno
Não olho para trás
Tranco cadeados
Livro-me das chaves
Janela afora se vão,
Nenhuma chance,
Sem volta
O  esquecido
Não mais servirá
Sigo, permito-me
Novas razões,
Sonhos,  intenções,
Em minhas costas
O eco das portas
Batendo secas
Na dureza do esquecido
E na felicidade da partida
 
(Taciana Valença)

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

BRANCA ROSA

 
Entre soluços,
suspiros, risos -
Expulsou barreiras,
Ansiou paraísos,
Acarminadas torturas
Venceu a si mesma -
Entre jardins,
Respirou  florestas,
Menos rubra
 Sempre a morrer,
A cada pálida pétala
Ardia em fúria doce,
Transformou-se!
Amava-se,
Vítima absoluta
D'uma metamorfose sofrida
Velada,
Rubores em frieza,
Pálidos dias -
Rúbeos lábios resistiram,
Apenas,
Não mais mortes,
Não mais penas.
 
(Taciana Valença)
 

Rompeu-se barreiras

EU MORO NUM VERSO (TACIANA VALENÇA)