TACIANA VALENÇA - Ensaiando poesias

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sábado, 18 de fevereiro de 2017

SOB A NOITE




D'outro lado da noite
Devem estar as respostas, 
As lições, 
O bê-a-bá da vida,
Bem ali,
Escondidas,
Sob denso concreto,
Por não entender, durmo
Noite após noite,
Olhos assombrados
Tentando adivinhar
O quanto de mim 
Terei ainda que ser
Pra reaver meu mandato
Sem que flechas me  atinjam
Sem que sangre minha alma
Que já de tanto se esquiva
Sem respostas ou guarida
Morrendo nas palavras
Que sucumbem, do tanto,
Do nada...

(Taciana Valença)


às fevereiro 18, 2017 Nenhum comentário:
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

SOBRE O TEMPO






Por que saber das horas
Se as palavras eram as certas
Se os olhos contemplavam
Quietos, fixos, sem fim
Se todo ali estava repleto de mim

Por que saber das horas
Quando nada importa mais
Além d'um momento que se eterniza

E está tudo certo,
Até mesmo a chuva
Molhando as asas dos pássaros,
Até mesmo o latido intermitente
De um cão carente

E está tudo certo,
Se tudo estava ali
Naquele momento
E era tudo o que importava

(Taciana Valença)
às fevereiro 13, 2017 Nenhum comentário:
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

FILTRO DOS SONHOS




Ando filtrando sonhos,
Afastando pesadelos,
Mais atenda às mensagens
Que a vida me dá;
Em pleno voo
A coruja avisou
Dentro de casa
Asas abertas,
Sábio vendaval -
Males presos aos fios ficarão,
Raios de sol dissolverão,
Lá no topo da montanha
Sou mais eu,
Sonhos meus
Vida minha,
Lá, onde morre o horizonte
Eu renasço,
Nas minhas possibilidades
Deixando ao sol
Todo mal
E as meias verdades

(Taciana Valença)
às janeiro 23, 2017 Um comentário:
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DESACERTOS D'UM CORAÇÃO



A gente ajeita,
Conserta, refaz,
Pinta o que há de castigado...

Trabalha dia e noite
Solto, apertado,
Triste como um fado

A gente ajeita,
Pinta de vermelho
Cantarolando de felicidade,
Cai pincel,
Tiram nossa escada

Mas a gente volta,
Enxuga a lágrima
Que cai na boca salgada
Põe mais uma escada
Volta a pintar de alegria
Nossos dias

Ah! Chato ser dono
De coração mole
Que se deixa emocionar
Quer mudar o mundo

Ah, mas a gente volta
Mesmo porque não tem jeito
É aqui que tudo se resolve
E se não resolver tá resolvido

Coração devia vir com refil
A gente mudava...
Estaria tudo certo,
Mas a vida é assim,
Cheia de desacertos
E coração não tem refil...

(Taciana Valença)


às janeiro 23, 2017 2 comentários:
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

ESTAÇÃO ERRADA


Habita em mim essa alma
Cigana atravessando vidas
Inquieta sob o corpo
Sobrecarga
Que por vezes
Num impulso
Quero atirar fora
Num ímpeto d'uma liberdade
De correr até o próximo trem
Na sensação
Absurda e pesada
De ter descido
Na estação errada

(Taciana Valença)
às dezembro 30, 2016 Nenhum comentário:
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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

## diferença ##



O que faz a diferença na vida é o modo como carregamos aqueles que fazem e fizeram a diferença no mundo, no nosso dia a dia, no nosso aprendizado. São muitos livros, muitas poesias, muitos contos, que, do mesmo modo que as pessoas, marcam muito ou sequer serão lembrados algum dia.

Guardo no meu coração coisas lindas que já escutei na vida, coisas inteligentes que ouvi de pessoas que se tornaram eternas em mim, outras coisas se igualam aos péssimos livros, às péssimas poesias e péssimos contos, ou seja, nem sequer são lembrados e muito menos registrados na história da minha vida.

(Taciana Valença)
às dezembro 27, 2016 Nenhum comentário:
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domingo, 18 de dezembro de 2016

CUMPLICIDADE



Nem posses
Nem poses,
Apenas mansidão
Vontade de ficar,
Olhar,
Morrer num tempo perdido
No calor de um instante
Onde se morre por segundos
Querendo viver horas a fio
Não é corpo
É essa vontade imensa
De carregar tua alma
Bem aqui, dentro de mim

(Taciana Valença)
às dezembro 18, 2016 Nenhum comentário:
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sábado, 3 de dezembro de 2016

VIVER, A MAIS BELA DAS POESIAS!





























às dezembro 03, 2016 Um comentário:
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## Desatino ##



D'uma sede acanhada
Acordando o homem
Vencendo o menino
Mãos e bocas
Perde-se,
Pede-se,
Contrabando,
Rapto,
Pulsa o inquilino
Destino ou desatino?

(Taciana Valença)



às dezembro 03, 2016 Nenhum comentário:
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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

ANISTIANDO O CORAÇÃO


Há momentos em que precisamos anistiar o coração. Seguir um pouco sem ele. Esse bobo que me carrega pelas mãos, faz sentir pena, saudade, vontade de ver as pessoas felizes. Chega! Uma trégua para que eu possa me mover um pouco sem essa alma, bondosa demais para sobreviver a um mundo onde os sentimentos ficam em segundo plano. Que coisa! Será que ela não aprende que a vida é prática? Que ninguém tá nem aí para sua sensibilidade, para seus olhos piedosos? 

Basta, um pouco de prateleira para que eu me acostume que a vida é mais funcional se não formos tão sensíveis. Talvez um dia, dois, sei lá. Esquecer um pouco que ele existe e seguir vazia, como tantas pessoas que sorriem vagamente, que amam convenientemente e trabalham exaustivamente para mostrarem uma felicidade que não possuem. Mas também não sofrem, pois nem sentem que são esses ocos de vida.

É isso aí, só por hoje, como um viciado  diria, só por hoje, fica ali, guardado em cima da prateleira. Vou produzir mais assim, afinal, tá todo mundo assim. Adaptar-me a isso é uma questão de sobrevivência.

(Taciana Valença)


às novembro 28, 2016 Nenhum comentário:
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Chicletes sem sabor – Taciana Valença


Então ele havia ficado no tempo das vésperas? Véspera, vésperas. Palavra nova em nosso vocabulário, tínhamos acabado de pesquisar. Era mania. No mesmo dia chegou com subilatório, rindo-se muito dizendo ser cria de um grande escritor para por no lugar daquela palavrinha que Magali tanto admirava e que resultava em grandes palmadas quando deixava escapulir. Contente disse que agora era substituir, no que ela rebateu, de jeito nenhum. Era isso? Nosso amigo existiu até as vésperas de hoje? 

Ainda ontem em coro brincávamos pega ladrão, pega ladrão e às gargalhadas víamos subir as calças espantado, agachado no mato, vítima de um desarranjo, segundo sua mãe, dona Hilda, da vendinha onde comprávamos escondidos os chicletes proibidos. Incrédulos metemos as canelas rua abaixo até a venda onde num quadro negro havia escrito a giz: fechado. A venda não fecha durante a semana. Teria sido o desarranjo? Alguém de vocês já ouviu falar em morrer de dor de barriga? A coisa parecia séria. Não poderia ser boato. 

Da janela minha mãe observava nossa reunião. Pelo olhar ela já sabia, conheço o olhar da minha mãe, ela não sabe disfarçar tristezas, é péssima para isso. Uma manteiga derretida. Era verdade. Aos poucos fomos deixando o riso aguado de lado e escondendo os dentes. Nas bochechas de Ana lágrimas escorregavam descontroladas e em poucos instantes contaminaram a todos. Ficamos ali pensando nas vésperas, nos ontens. Como alguém aos 11 anos pode simplesmente sair assim da turma, sumir? 

Estava tão feliz, havia entrado no novo colégio com a ajuda da tia que prometera pagar as mensalidades mediante as notas do ano. Sem dúvida se esforçou. Quase não o víamos durante a semana, a não ser rapidamente, chegando ou saindo para a aula. Cada qual no seu canto recordava o amigo. Certa vez ouvi meu pai dizer que a morte não mandava recado. Nem mesmo tivemos tempo de despedidas, dizer do quanto gostávamos dele e torcíamos pela sua felicidade. A casinha sacrificada, os pais já tão idosos nunca puderam dar-lhe mais. Não ligava, estava disposto a ser gente como afirmou num só sorriso quando anunciou a ida para uma escola melhor.

 Alguns arrependimentos piscavam sobre nós. As prendas, a mangação vendo-o dançar ao som do cavaquinho numa aposta para que pudesse ganhar um real. Não, não era maldade. Na dúvida rezei. Expliquei a Deus as brincadeiras. Haveria de entender. Senão Deus, quem mais? Mas por que ele o tirara de nós, por quê? Uma criança que queria crescer e ajudar aos pais. Só uma criança. O sol se escondeu e nem percebemos. Ao longe observamos os pais chegarem à casa que também era nossa vendinha. 

Estavam tristes. Dona Hilda apoiada sobre o ombro da filha chorava. O chiclete não terá mais o mesmo sabor, não será mais colorido ir à venda e não poder chamá-lo. E as prendas? Por certo não ficou chateado, era melhor que nós.

Taciana Valença



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