sexta-feira, 4 de outubro de 2013

AMARELA LIBERDADE


 
Por instantes, meus olhos a seguem

Passageira d'um voo livre
Sem destino, paradas tantas
Mente vazia nessa carona
Até onde a vista alcança,
Testemunha da liberdade amarela
Olhos sobre o mundo
Vadiar por segundos
Mas esses ponteiros,
Que não esperam
Num vagar cronometrado
Volto ao tempo que me espera
 
(Taciana Valença)
 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O que não se define...

 
se mergulhares no infinito,
descobrirás meus olhos
 contemplação serena
do que não se vê,
do que não se partilha
do que não se finda...
 e, atordoado sem explicações
peço que não fuja,
o infinito não se define
morre incrédulo
no maremoto de ilusões
 
(Taciana Valença)


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

NOITE


 
Em braços de solidão
Recosto a cabeça
Sob o peso da noite 
Purgo a retórica
Olhos se abrem
Ao que não vejo
Lampejos de vida
Em armas de desprezo
Serei infinito
Ao que nunca se chega
Rezo ao lampeiro dia
Fiapos de agonia
Viajo,
 a um mundo sem fim
Sem ida, nem volta
Sou pedaços de mim...
 
(Taciana Valença)
 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

DOS MEDOS

 
E se me falares dos medos
Que teus mistérios rondam
Falarei das sandálias
 
Das amarradas tiras
Guardando rachados pés,
sobre solo severo
 
Da bíblia que ecoa,
em aturdido crente, ser descrente,
 
Das escadas, subindo ao nada,
 
Do vazio por do sol,
Q'esconde as vaidades,
 
Dos desencontros e desencantos
Atolados na lama,
Areia movediça...
 
Da vontade de jogar-se da pedra última
espatifando corpo n'água sedente de mim
 
Do rumo, que não se toma
nem se domina
 
Do aburguesar-se em mangas de camisa
Espumando esquisitos hábitos absolutistas
 
Da alma nua que invade a praia
Rumo à escuridão das profundezas....
 
Ah, se me falares dos teus medos
Poderei mostrar meu estranho ser
 
Sem configurações aceitáveis
Com rios de incertezas inabaláveis
 
Do abstraído ser,
Que nem mesmo é,
 continuando sendo
Até não mais ser...
 
(Taciana Valença)
 


sábado, 7 de setembro de 2013

Lençol de Vidro

 
Nas mãos a vida
Esculpindo vontades
Brigando  verdades
Soletrando  eternidade
Poucas sejam talvez
As habilidades
Traços indefinidos
Finalizações sem sentido
Atalhos caminhos
Gostos reprimidos
Deitar o corpo
Sonhar em esconderijo
Em sendo  quem sou,
Lençol de vidro
 
(Taciana Valença)
 
 


domingo, 1 de setembro de 2013

CARTAS

Tantas foram as cartas...
Com cheiros, com rosas, com emoções
Quem sabe até com gosto
Gosto de boca, de beijo, de carinho
Cada palavra que saber escrita, perturbava
A caligrafia mudava visivelmente
Bastava que algo abalasse
Sentia-se nas linhas
A raiva, o ciúme, a felicidade
A verdade, a tristeza, a saudade...
Frases fazendo graça
Zombavam do tempo
Onde o amor impera, selos e selos
Colas, colando sentimentos
O ir e vir, papéis floridos
Paixão, amor
Volúpia, cumplicidade
Vez por outra lágrimas,
Borrando tintas...
Confidências, carências
Corações fiéis,
Todo um mundo,
Terminado em um segundo!

(Taciana Valença)



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

AMARELINHA

 
e a menina
que ansiosa
 pulava amarelinha
olhos brilhantes
rumo ao céu
coração acelerado
em alegria pura,
d'um intenso viver
enfim chegou
e não era assim,
tão estrelado
seu sorriso
agora amarelado
viu que o mundo
pode ser perturbado
e que estrelas se buscam
não sendo nada na vida
fácil de ser encontrado.
 
(Taciana Valença)


terça-feira, 27 de agosto de 2013

JÚRI

 
Não importa fazer jus às juras
Se mesmo assim somos julgados
Talvez absolvidos
Mesmo que dantes condenados
Pois o júri não crê em juras
Quando as juras são infundadas
 
(Taciana Valença)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Delicadeza....

 
 
 
D'uma delicadeza triste
O olhar morreu
Ali, na noite
Sobre as canoas, d'um fogo
Q'ueardendo em lágrimas
Insuflou o mergulho
Profundo, águas frias
Fuga e busca d'uma efígie,
Inútil, apenas escuridão
E a vontade de ir mais fundo
Das profundezas fiz meu paço
Um sopro
Um olhar para superfície,
O vermelho do fogo
Num silêncio, sem canoas
A marca fincou a alma
Pulsa a efígie no peito
Num espraiar gélido e profundo
Em outro mundo...
 
(Taciana Valença)


domingo, 4 de agosto de 2013

Escasso Doce


Palavras emudeceram
Circunstâncias adversas
Olhar perdido
Além  infinito
Alma incrustada
Petrificada
Escasso doce
Colheita do paraíso
Resta o que não se vê
Dessa janela...
Nesse esconderijo
Não mais abrigo
 
(Taciana Valença)


ESTRANHAMENTO

 
 
Como oferenda,
Pus-me, diante da imensidão
Aguardando a lua,
Cabisbaixa e apreensiva.
Ponteiros seguindo,
 sem dó,
nada no horizonte...
Espera a pungir-me
Além dos silvos
além das ondas...
Ela não nasceu
Cheia, média ou minguando
Sumiu, diante da minha espera
A última vez que a vi
Tarde já era
Deveria estar no alto
Mas estava ali,
Parte no mar,
Parte no horizonte...
Estranhei
Acompanhei
Mas ficou ali, parada
E hoje ela não veio
Só haveria eu e ela
além do mar e dos céus
Nem mesmo tristeza
Abrandou tal ato punitivo
Eu vou ficar aqui,
Quem sabe volte
Imensa e brilhante
E que meus olhos daqui levante
 
(Taciaa Valença)
 
 
 
 
 


EU MORO NUM VERSO (TACIANA VALENÇA)