sexta-feira, 28 de agosto de 2015

SINTA




Sinta as paredes se abrindo,
Tirando os problemas do ar...

Você não tem que dizer nada
Apenas deixe que eu olhe em seus olhos
E veja coisas que não via antes

Como o espaço
Que precisa para respirar
E sua vida, que precisa para viver -

Muitas lágrimas se perderam
No egoísmo de se ser somente em si,
Sinto muito...

Mas que se dane a dor que conhecemos
Por que um novo dia nasce em nós
E o sol que perdemos não ilumina o hoje;

E agora desejo apenas compartilhar  o seu espaço
Colocar o sorriso de volta em seu rosto,
Rondar o brilho dos seus olhos e sentir o afago da sua alma

O toque dos longos dedos
Acariciando minhas manhãs
E minhas manhas, 

Nossos amigos virão
E também irão embora
Não há nada que possamos fazer

Mas teremos sempre a nós
Nosso caminho,
Entre flores e espinhos

(Taciana Valença)


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

NÃO HÁ O QUE ENTENDER


SE QUERES ENTENDER O QUE ESCREVO
PENDURA A EMPÁFIA NO CABIDE DO ÓCIO,
APOSENTE O SABERETISMO SUPERFICIAL
DE TUDO QUE SE APRENDE IGUAL
META PÉS PELAS MENTES, PELO VÃO DORMENTE
ACEITA OS GRILHÕES NATURALMENTE,
O SER LIMÍTROFE QUE HABITA NO ÂMAGO DO TEU SER
TÃO NORMAL QUANTO UMA LESMA 
QUE SE ARRASTA PELA VIDA
SE QUERES ENTENDER O QUE ESCREVO 
SAIBA QUE NÃO ESCREVO PARA SER ENTENDIDA
NÃO HÁ EM MIM NADA SOBRE O QUAL EU TENHA CERTEZA
E RARAS SÃO AS FRASES QUE LEMBRAM O QUE SOU
POIS SENDO UM TANTO O QUE ÉS
NÃO SEI DE ONDE VENHO,
MUITO MENOS PARA ONDE VOU
SENDO POEIRA SOPRADA NO ESPAÇO
EM ALGUM TEMPO INCAPAZ DE SOBREVIVER ÀS DISTÂNCIAS
E QUE ASSIM SENDO
NEM MESMO SEI SE AINDA SOU,
OU ESTOU NO VÁCUO D'UM TEMPO QUE SE FOI
TENTANDO CORRER ATRÁS DO QUE NUNCA FUI
OU DO QUE DE MIM RESTOU
SE QUERES ENTENDER O QUE ESCREVO
ENGAVETA TUA RETÓRICA
POIS NEM MESMO SEI QUEM SOU

(TACIANA VALENÇA)


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

SE AVEXE





Se avexe para o bom dia, para o abraço apertado, para dizer que ama, para ceder aos impulsos contidos da compaixão e da solidariedade. Se avexe. Corra para o banho de chuva, para o milk shake que detesta regime, para ouvir o que o vizinho triste tem a dizer, para falar para aquela amiga o quanto é especial. Se avexe. Tire o sapato, corra na areia da praia. Deixe os dedos afundarem no chão e a água bater nos pés. Se der vontade, mergulhe, contemple. Se avexe. Diga aos filhos o quanto os ama. Deite junto na cama, converse, fale da infância deles e o quanto são importantes na sua vida. Se avexe e ligue para seus pais, assim, com tempo para ouvir as coisas que eles querem dizer mas você está sempre na correria e não pode escutar. Se avexe, fale com Deus sobre sua vida, segredos, alegrias e angústias, mesmo que não acredite em Deus, fale mesmo assim, pois o grande Deus na verdade habita em cada um de nós. Se avexe em ser mais gente, pois amanhã a página da nossa vida pode estar em branco e podemos, agora, estar perdendo nossas últimas oportunidades para sermos o melhor de nós. (Taciana Valenca). BOM DIA.

domingo, 26 de julho de 2015

A MENINA FRANZINA

A menina franzina não comia mais. Ansiosa em noites de sol intenso, embarcava em seu armário. Seus melhores momentos do dia estavam ali, a um passo dos seus olhos. E era só entrar para sentir da vida um outro colorido. Não importava se não descansasse, ela não sentia sono, sentia vontade de coisas boas. 
Na sala, antes de dormir, seus pais mal olhavam em seus olhos, pois ocupados estavam, absortos em seus mundos "on line" e seus problemas. Era apenas um "boa noite" raso e sem emoção. Nem uma conversa, nem mesmo uma lição.
Ah! Quantas surpresas encontrava na madrugada! Logo logo atravessou a porta. Seus amigos estavam lá, jogando bolas de gude na areia. Nossa, os amigos da escola olharam para ela tão atravessado quando comentou que poderiam arranjar bolas de gude. Nem mesmo procuraram saber o que era, continuaram em seus jogos nos celulares. Ela estava tão perto, mas preferiam conversar no "Zap". Coisa fria, sem emoção! Os amigos do armário sim, sabiam viver! Bolas de gude na areia, brincar de se esconder, queimado, pés descalços sentindo o chão, brincadeiras de pega ladrão. Ah! Não trocava seu armário por nada não! Eles não tinham celulares, mas tinha os mais exemplares pais. Mães que  serviam cachorros quentes depois das brincadeiras,  chamavam para fazers brigadeiros, conversavam sobre tantas coisas. Os pais mal chegavam e se chegavam, arregaçando as mangas, querendo participar. Melhor que a vida no armário não há!

(Taciana Valença)

quinta-feira, 25 de junho de 2015

ARMADILHA


Algumas coisas nos devoram. 

Silenciosamente sugam, aproveitando quando baixamos a guarda em sinal de confiança. 

É preciso estar atento, pois às vezes o que percebemos pode ser o último clarão antes da total negritude. 

(Taciana Valença)

domingo, 21 de junho de 2015

À DERIVA




Pergunta-me por onde andei -
E nem mesmo sei desses lugares  de mim,
Pés descalços, livre enfim
Servindo marafo a Exu,
Tomando vinho com pomba gira
Noites frias de balangandãs
Protegida por amuletos
Dormindo em colchões  de mistérios
Escondida em conventos
Onde trancam sentimentos,
No balançar das cadeiras dos velhos sobrados,
Ou  largada num banco de praça,
Numa frescura cheia de vazios
Um vento friiioooo....
Inquietando a costela,
Correndo a acender as velas,
Q’esquentam como um abraço...
Do céu alguém me jogou um laço
Para me debruçar sobre o mar,
Ah...meu eterno confidente,
Frio na barriga ao ver tua imensidão,
Manchado com tinta de lua
Onde um barco dorme em solidão
Perguntas por onde andei

Foi no rastro do barco sem direção

Taciana Valença

quarta-feira, 10 de junho de 2015

E POR FALAR EM FALENCIA...



Deixara ali os versos
Esquecidos sobre a mesa
Inacabados, riscados,
Esculturas decepadas
Algo que não se findou...
Dias e dias, mesa fria
Apodreceram úmidos
Junto ao resto do café na xícara
Baratas rondam, rondam, sem entender -
Café, pra quê?
Ainda mais com adoçante!
Giram tontas entre os papéis,
Amarfanhados, desprezíveis
Acanhados,
Flor suplica sua dor
O poeta não voltou,
Mesa imunda se consome
Na podridão do que lhe restou


(Taciana Valença)

And speaking of bankruptcy

Left here the verses
Forgotten on the table
Unfinished , scratched ,
severed sculptures
Something not ended ...
Days and days , cold table
rotted wet
Along the rest of the coffee in the cup
Cockroaches roam , roam , without understanding -
Coffee, for what?
Especially with sweetener !
Turn dizzy among the papers ,
Crumpled , worthless
sheepish ,
Flower begs her pain
The poet did not return,
Filthy table is consumed
The rot that had left


( Taciana Valença)

sexta-feira, 29 de maio de 2015

## MIGRANDO ## MIGRATING




MIGRANDO
Tenho andado um tanto triste,
Assim, a contragosto;
Sem superfície, feito rolha de poço,
Riso de canto de boca
Na observância do que ninguém observa,
Do malandar da carruagem que balança todo mundo,
Da cretinice enfeitada de vaidades vis...
Ah, se soubessem o que vejo em detalhes
Ali, quietinha, minha plateia
Esforçados talvez sejam os artistas,
Mas tão repetitivos e infantis!
Quem dera não observasse tanto assim,
Aqui, quietinha, momento eu - 
Nada além da escuridão,
Nem sons, nem multidão...
Hora da migração?
Um escafandro apenas,
Por que tem horas assim
De querer-se apenas respirar...

(Taciana Valença)
MIGRATING
I've been a sad end,
So , grudgingly ;
No surface , well done stopper ,
Laughing mouth corner
In observance than anyone observes ,
Malandar the carriage rocking everyone ,
The decked idiocy vanities vis ...
Oh, if they knew what I see in detail
There, quietly , my audience
Hardworking perhaps the artists,
But as repetitive and children !
I wish not observe much,
Here , quietly , I now -
Nothing but darkness ,
Or sounds, or crowd ...
Migration time ?
A diving only ,
Why have so hours
Wanting to just breathe ...
( Taciana Valencia )

domingo, 24 de maio de 2015

APENAS INDO...COM O VENTO / Just going with the wind ...






Imbróglio, confesso,
Corolário dos acúmulos de mim –
Viagens sob um azul,
Cujas nuvens d’ávidas formas me conduzem -
Céus! Caberão em ti tantos eus?
Que inferno tanto frio acobertará
Dos invernos vividos a esmo?
No ermo d’uma superpovoada solidão?
Corda bamba dos titubeados lítotes,
Num desafirmo de pontas de pés,
Como que descalços sob frágeis verdades –
D’um abalo que não se confirma,
Vida cria de aquário!


(Taciana Valença)



Imbroglio , I confess,
Corollary of accumulations of me -
Travel under a blue ,
Whose clouds d' greedy ways lead me -
Heavens! Will fit in you so many selves ?
In the desert d' one overcrowded loneliness?
In that hell so cold fit Winters lived aimlessly ?
How do bare in fragile truths -
Tightrope of doubthful A denial of foot ends
D' a concussion that is not confirmed ,
D' a life in aquarium is created !
(Taciana Valença)

quinta-feira, 7 de maio de 2015

RETRATO D'UM POEMA / PORTRAIT D'A POEM



Que cumpra-se o poema
Sem prazo nem hora
Apenas por agora
Sem padecentes partos
Nem ritos, nem rimas –
Puro, simplesmente
Na imaturidade de apenas ser,
Não salgando com dramas,
Nem adoçando demais
Enjoando na melosidade romântica
Puncionando apenas,
Tirando das entranhas,
Purgando e exaurindo
Parte de sentimentos infindos
No infinito d’um ser que interroga e exclama
Dia após dia,
Alegrias e dramas

(Taciana Valença)



 Portrait d'a poem

Let it be that the poem
No term or time
As for now
No padecentes births
Nor rites, nor rhymes -
Pure, just
Immaturity of just being,
Does not salting with dramas,
Or other sweetening
Getting sick in the romantic melosidade
Puncturing only
Taking bowel,
Purging and exhausting
Part of endless feelings
In the infinite d'a being who interrogates and exclaims
Day after day,
Joys and dramas

(Taciana Valença)



terça-feira, 5 de maio de 2015

A PRAÇA / A SQUARE




A PRAÇA
Andei por ali,
Assim, sem pressa...
Observei um bocadinho de mim,
Que por ali ficou,
Andando ainda trôpega;
Segura nas mãos dos meus pais...
Algumas valentes cigarras pude ainda escutar,
Um tantinho de vitórias-régias
Ainda fazem jus ao nome –
Nos bancos, figuras isoladas,
Ou tentando isolamentos,
Ao redor de tudo isso as buzinas –
Desafiando seres antipáticos,
Naturebas deslocados,
Poetas sem casas nem nomes,
Codinomes d’algumas coisas bem longe,
Como o infinito onde habitam,
Onde morrem e ressuscitam em si mesmos,
Na magia de se tornarem invisíveis
Aos olhos dos que os acham risíveis,
Pseudo-intelectuais que pensam de tudo saber

Ignorantes de marmita,
De falsos saberes,
Nem mesmo cabem em meu mundo
Que sendo bem maior
Cabe magicamente nessa praça.
Só de pirraça!

(Taciana Valença)


A SQUARE

I walked around,
Thus, unhurried ...
I watched a little of me,
By that there was,
Walking still shaky;
Safe in the hands of my parents ...
Some brave cicadas could hear,
A tiny bit of water lilies
Still live up to the name -
The banks, isolated figures,
Or trying to insulation,
Around all the horns -
Challenging unfriendly beings,
Naturebas displaced,
Poets no homes or names,
Codenames d'few things far away,
As the infinite inhabited,
Where they die and resurrect themselves,
In becoming invisible magic
In the eyes of all who try to understand,
Ignorant of pot,
Who think they know everything -
My world is bigger
And it is a square,
Just prank!

(Taciana Valença)

EU MORO NUM VERSO (TACIANA VALENÇA)